sexta-feira, 18 de junho de 2010

O "não" amor.



    Vejam só que curioso, remexendo em meus papéis antigos encontrei um artigo que fiz em 2002 para uma escola. Fala sobre educação, daí resolvi publicar ele aqui para vocês.

                                                   O "não" amor

    Muitos pais acham complicado educar seus filhos, e realmente o é. Como saber o que é certo ou não e até onde o castigo deve ir é uma preocupação universal. Contudo, ante todas essas dúvidas, algo deve estar presente, o "não". Essa palavra de três letras poe equivaler a uma vida produtiva e equilibrada.
    Os pais precisam dizer "não" às crianças e estas precisam ouvi-lo, os limites devem ser mostrados. Hoje, é fácil observarmos pais permissivos, muitas vezes cansados pelo trabalho ou querendo compensar alguma falta (pai ou mãe ausentes). Acham menos trabalhoso ceder aos caprichos dos pequenos, quando a situação se torna incontrolável e eles se vêem diante de crianças "imperativas" é que tentam reverter o quadro.
    Se você ensina ou demonstra a uma criança que ela pode ter o que quiser, da forma e na hora que ela quer, obviamente ela vai achar que todas as pessoas se comportam assim e que esse padrão é natural. Diante dessa perspectiva, logo veremos o surgimento de problemas escolares, de socialização e às vezes físicos, pois o nosso "reizinho" não suporta ser contrariado.
    Todavia, no meio desse turbilhão temos ainda que aprender a lidar com dois tipos de "não", o repressor e o educativo. Quando você for dizer "não" à criança, não é necessário enrugar a face e engrossar a voz para se fazer respeitar; isso pode até funcionar, mas gera um clima de medo e de disputa de forças. Entre medo e respeito há um abismo que algumas vezes se torna instransponível.
    O "não" educativo é aquele que é dito de forma serena, porém firme e com algum argumento, ou seja, explique o porque da proibição. Outro detalhe relevante é a linguagem, procure adequá-la ao entedimento da criança.
    É importante saber dividir os "nãos", não deve caber somente a um dos pais essa tarefa difícil e deve existir uma concordância entre estes, se só um mostra os limites, a criança pode tentar se proteger no outro (porque afinal de contas ninguém ogsta de levar um não).
    Tentemos ser mais honestos conosco e com as nossas crianças, o sim às vezes é bem mais fácil, sejamos mais fortes que o cansaço, o estresse, o desgosto, a tristeza, a falta, a covardia. É verdade que não há receita e tem momentos nos quais é extremamente difícil, mas dêem o melhor de vocês, os pequenos entenderão.
    Outra questão que também atormenta alguns pais é o medo de serem desgostados e até odiados pelo fato de estarem negando aquele "skate", ou aquela "barbie" a seus filhos. Por menores que eles sejam, eles têm entendimento, pode ser que eles não compreeendam algumas atitudes, mas com o tempo tudo fica mais claro. É importante que sejamos plenos de carinhos e agrados e que consigamos fazer do "não" um ato de amor. Se nós não o fizermos, a vida fará de uma forma muito mais dura.

(Escrito por Marianne Bezerra Coêlho em 2002 para uma escola de Fortaleza.) Por favor, se forem copiar ponham a autoria ok?

É isso, por hoje é só, um abraço da Mari!

1 comentários:

  1. Olá Marianne! Assim como você também sou psicólogo. Meu trabalho está pautadado no atendimentos a famílias e casais. Lendo este artigo me vi dentro da clínica. Quero dizer que os pais estão cada vez mais procurando um apoio psicoterapico por não conseguirem dizer o não. Concordo com você que esta dificuldade está muito direcionada a uma ausência oriunda da jornada de trabalho. Entretanto, percebo também um setimento de inaptidão, visto que grande parte dos pais por mim atendidos compreendem que dizer o não os remete a sentimentos ruins de sua infância. Portanto, não devemos perder de vista esta importante variável para compreendermos com mais amplitude as mudanças de comportamentos que devem acontecer em um sistema familiar para uma educação de qualidade. Afinal, os pais devem preparar os filhos para a vida.
    Parabéns pelo trabalho.

    ResponderExcluir