quarta-feira, 12 de maio de 2010

Convocação para a copa de 2010!

   
Hoje pela manhã ao ler o jornal local, estavá lá a manchete: Dunga decepciona na escalação! Será que vocês assim como eu, têm uma memória boa? Será que lembram que toda copa é a mesma coisa? Seja qual for o técnico, todo mundo reclama, que não fez certo, que convocou quem não devia, deixou de fora quem era para estar dentro...
    Isso pode parecer uma bobagem, mas a meu ver isso é sintoma de algo muito mais profundo e preocupante. Todo mundo é o melhor quando a questão é criticar, todo mundo tem solução para a vida de todos. Mas e se fosse você na real? Você dá conta dos seus problemas tão bem como dá conta dos problemas dos outros? 
    Mas deixemos a copa transcorrer, que se o Brasil obtiver bons resultados então o Dunga será um gênio. Eu recebi um e-mail essa semana muito interessante. O texto é do publicitário Nizan Guanaes, o dono da agência que fez os famosos bichinhos da parmalat, foi escrito quando Nizan foi paraninfo de uma turma na FAAP. Eu vou pôr o texto na íntegra e vou destacar as partes que, para mim, são mais importantes e me fizeram refletir junto com a manchete do Dunga hoje.

    "Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.
    Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha. Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.   
    A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: “Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo. E ela responde: Eu também não, meu filho”.    
    Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.    
    Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem, como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassú. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina.    
    Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito.    
    É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.   
    Tendo consciência de que, cada homem foi feito, para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia!   
    Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansear, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.    
    Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios.   
    O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.
    Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão.
    E isso se chama sucesso. "
                                                                                        Nizan Guanaes.

    Vamos agir, não fiquemos nas filosofias baratas de botequim que se esvaem tão logo o efeito do álcool passa. Vamos usar nossos talentos e força para algo mais que criticar quem está se mexendo. Pode até ser que a pessoa erre, mas ela está fazendo algo, ela se predispôs a enfrentar, e você???   
    É isso, desejo que nós possamos estar entre os que fazem a diferença, entre os que são lembrados não pela fama, ou pelo dinheiro, mas sim pela sensação boa que provocamos em quem nos conhece. Pela dignidade, honestidade e vontade de fazer desse mundo o mundo que sonhamos.

Um abraço da Mari!

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