Olá a todos, estive de recesso mas voltei. Nesses dias estive pensando sobre uma questão que tem se tornado muito comum, pelo menos no consultório. Vejo mulheres jovens, bonitas, inteligentes mas com uma dificuldade enorme em encontrar um amor, um relacionamento bacana.
Tenho refletido sobre isso e pensei em algumas considerações que gostaria de dividir com vocês. Existe um peso que paira sobre as moças na nossa sociedade, um peso real, que a meu ver as está atrapalhando nessa busca. Algo está perturbando esse desenrolar saudável.
As moças da minha geração fomos criadas para sermos independentes, existe a liberdade e trabalhar fora não se constitui em empecilho, é um dever de honra. O casamento hoje não vem em primeiro plano, e o fato da moça trabalhar, não atrapalha a conquista do lado sentimental. Contudo, nós moças new generation temos que conviver com as mulheres das gerações mais antigas, que são em número muito maior.
Nas gerações anteriores, as mulheres tinham como interesse primordial e muitas vezes único da sua existência, o casamento. Havia o debute, e a moça só começava a viver quando se casava. Era tolhida da sua sexualidade e era como só se tornasse alguém respeitável e digna de ser ouvida quando ostentasse uma aliança na mão esquerda. O trabalho ficava em segundo ou terceiro plano. Então temos hoje esse, digamos, conflito de idéias.
Isso fica muito patente quando chegamos perto dos 30 anos e começamos a ouvir a fatídica pergunta: você ainda não casou? Para os homens pode soar como uma pergunta tola e inocente, mas vamos analisar um pouco. Quando alguém pergunta isso, normalmente uma mulher, ela quer pressupor que a outra não está cumprindo com os deveres normais da raça, ou pelo menos que está em atraso e o seu tempo está acabando. As pessoas mais preconceituosas chegam a olhar a moça com estranheza ou até com pena às vezes.
O que isso ocasiona? A moça que ainda não casou, começa e se sentir inferior, como se ela estivesse desonrando a espécie feminina e, como defesa, tem contra-atacado com frases como: ahh isso não é pra mim. Deus me livre de me submeter a um homem. Tenho trabalhado tanto que estou sem tempo. O casamento não é importante para mim. E dentro de si mesma, passa veementemente a acreditar nessas frases, que nada mais são que uma defesa contra a hipocrisia feminina.
Essa atitude faz com que ela entre em embate consigo mesma, fique neurótica (a neurose se estabelece quando você não está de acordo com você mesmo), por um lado se afirma como não precisando disso, por outro deseja e sonha com seu eleito e com uma vida conjugal feliz. Nós crescemos ouvindo as histórias onde as princesas se casam e são felizes para sempre, tudo gira em torno do casamento, ele é o ponto chave. E sem querer desmerecer é algo importante mesmo para a mulher.
Esse conflito é muito notório e arraigado, certa feita, uma amiga da minha mãe encontrou-se conosco em um restaurante, ela também tem uma filha da minha idade. Perguntou-me logo: e você ainda não casou (a filha dela é casada, importa se é infeliz? não, mas casou)? Respondi que não. Ela continuou, a filha de fulana terminou a faculdade de medicina e já casou, engraçado como na profissão dela eles não deixam ninguém ficar vitalina. Eu tive uma vontade tremenda de rir e dizer: se a senhora não quer demonstrar a idade que tem, não fale mais esses termos, porque isso denuncia logo o quanto a senhora é velha. Mas fiquei pensando em como isso dela é medíocre.
Como se não bastasse querer nos fazer sentir inúteis, ainda nos ameaçam dizendo: quem muito escolhe fica sem nada. Sobre essa outra pérola proponho a seguinte reflexão, na época delas a escolha era à distância, elas primeiro escolhiam e depois viviam. Muitas se arrependiam, mas era tarde. A nossa escolha é muito mais interessante, e tem muito mais chance de dar certo, pois convivemos, saboreamos, vivemos!! Portanto, não se sinta ameaçada de jeito nenhum, porque você está vivendo enquanto "escolhe". Não há perda de tempo quando se vive!
Não é de admirar então, que haja essa dificuldade toda hoje em dia. Isso tem gerado uma grande ansiedade e angústia nas moças, chega mesmo a ter características de síndrome. Eu não sou contra o casamento, de jeito nenhum, acredito que é algo muito bom, bacana, é uma oportunidade ímpar de crescimento e felicidade, de estruturar uma família. Mas acho também que a mulher pode ser feliz e amar sem necessariamente casar. Até porque, nem todo mundo casa.
O que vejo como importante é encontrar uma pessoa decente, que some com você, que te respeite, que te trate bem, em quem você confie, com quem você possa ter um bom papo, um bom sexo, com quem você possa conviver e ser feliz, por um mês, um ano, ou cinquenta anos. Não é a quantidade de tempo que faz uma coisa importante, é a profundidade com que ela nos toca.
Alowwwww moças!!! As mulheres que perguntam isso não tiveram a liberdade que nós temos!!!!!!! Muitas delas entraram em casamentos infelizes só porque tinham que fazer isso ou para sair da casa dos pais!! Vocês têm que entender que nós não estamos esperando a vida começar como elas estavam! Compreeender que a ótica delas é diferente da nossa!! Que não somos obrigadas a casar para ser gente ou para ser feliz! Não se sinta a última das últimas, tenha a certeza que, muitas dessas mulheres casadas que fazem essas perguntas com malícia, dariam tudo para ter a vida que você tem!
Portanto, quando alguém perguntar isso, simplesmente responda: não, e faça uma expressão feliz. Para quem merecer ouvir, ponho aqui algumas sugestões de respostas:
- ainda não, estou esperando seu filho crecer mais.
- estou fazendo a seleção, você não imagina como são divertidos os testes.
- não, quando eu cansar de namorar penso nisso.
- não, quero continuar a ter sexo bom por muito tempo ainda. (essa é fantástica).
O fundamental é você não fingir que não quer isso! Como é que você quer ter um casamento, ou um relacionamento legal, se sai gritando aos quatro ventos que isso não importa, ou não é para você? Levantando a bandeira da toda-poderosa? Cuidado para não criar ao redor de si uma barreira, não entrar em neurose. É legal ter uma carreira de sucesso, ser boa no que faz. Mas somos mulheres!!! Fomos moldadas para o amor! Porque ter que desistir de um lado tão bacana e importante? Não existe idade para isso ou aquilo, tolice! Não meça a sua vida pela de ninguém, você tem que caminhar no seu caminho nas suas passadas, não na dos outros. Não tenha vergonha de dizer que quer um marido legal, que quer casar de vestido, que quer ter uma família, que quer um bom pai para seus filhos... Isso não é ser ultrapassada, é ser autêntica.
Aloooww! Se abra para o amor, se permita! Como o universo, como Deus, vai te dar o que deseja se você fica em contradição?! Assuma o seu desejo menina! Mas principalmente assuma o seu desejo de ser feliz! Casada, amigada, solteira, namorando, viúva, divorciada...
Um abraço e até a próxima!